A tua vida fala de ti?



Adoro fazer testes de presença...aqueles completamente inesperados e não óbvios que nos deixam completamente despidos perante a verdade da situação.

Estares presente é estares vivo, é contagiares cada momento com a tua essência, criar com todos, e com os anjos. É marcar de ti, aqui e ali.

Vê toda e cada área da tua vida, e vê se ela fala de ti.

... na casa onde vives...

Escolheste o sítio?, ou essa foi uma escolha por defeito? Um prolongar de "já agoras", “obviedades” que não questionaste, vendas de luxo que foste sobrepondo?

E a decoração? Amas todas as peças que tens em casa, ou são simples objectos que vais deixando que percam vida a cada instante que já nem os vês?

E o espaço? tens sítios que não abres às visitas?

Estes são normalmente espaços onde a energia estagna e o nosso poder criativo não flui. Buracos de “não sei o que fazer” que se vão acumulando na nossa garagem e nas arrecadações da nossa vida.

Será que a tua casa está a falar de ti?

... e na tua família?

Que parte de ti têm os teus filhos? Brincam juntos? Têm algo só vosso?

Quanto de ti está no dia a dia da casa?

Todas estas reflexões me ensinaram hoje que só estamos realmente presentes, quando interagimos, quando tomamos parte, quando co-criamos! E isto é verdade para as coisas mais óbvias e para as menos óbvias.

Quanto mais estivermos em união com tudo o que tocamos na vida, mais inevitável se torna a criação, a necessidade de colocarmos também a nossa marca, de expressarmos a nossa voz.

Partilho que hoje me dei conta que temos em casa algo só nosso, um dialecto próprio. Não digo com isto que falamos outra língua, mas sim que existem na nossa família pequenas palavras, construídas por nós, a partir da magia do momento. Não damos a isto um sentido de clã, pelo contrário. Recordamos com amor, quando perguntamos se a Mar (nossa filha mais pequenina) já “mimiu”, que as palavras que conhecíamos na altura não chegavam para exprimir o que sentíamos. Ela dorme diferente, ela dorme com mimo, ela “mime”! E como este, tantos exemplos que me dou conta, acrescentam imenso à nossa vida. Não é o facto de inventarmos uma palavra; é a benção de estarmos presentes no momento e percebermos que as palavras que conhecemos muitas vezes não exprimem a forma como estamos a viver a experiência. É a necessidade de criar que vem ao de cima; é o dom que fica desperto com o sentir, com a abertura do nosso coração; é a melodia interna de cada um que ganha aqui a vontade de ser canção.

Que todos possamos todos os dias “mimir” conscientes de que a cada momento construímos a nossa vida e a nossa presença no mundo.

Com amor,


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