O espaço de nós


Às vezes a ânsia da felicidade leva a que tratemos a nossa vocação como um projecto pessoal com deadlines e folhas de excel. Já estive aí e sei as várias listas que iniciei, os vários ciclos que comecei, as várias etapas que traçava. O problema é que vocação, ou o nosso propósito, ou em última instância a nossa felicidade, é algo que nasce connosco, que sempre esteve dentro de nós, e com o qual necessitamos não só de aproximar, como de criar intimidade. Algo que é temporário e eterno; que é isto ou aquilo; que é forma e sentido.


Para mim o encontro com a nossa vocação tem tudo a ver com disponibilidade e momento, mais do que com um plano de acção que objectivamente e irrepreensivelmente queiramos perseguir.

“Vocar” é deixar que algo que está dentro de nós fale; é ter a coragem de sentar, parar e fazer amizade todos os dias com um amigo oculto. “Vocar” é olhar para tudo o que não controlamos e entender a linha que liga harmoniosamente todos esses padrões; é fechar os olhos e não saber com o que sonhamos; é abrir um livro de manhã e deixar que a página em branco nos conte a história.

E tu? Que tens feito com o enorme dom que está dentro de ti?

Enches a agenda para que a sua voz não seja ouvida, ou pelo contrário entras floresta adentro munido de mapas, lanternas e luzes, chamando vezes sem fim pelo animal selvagem?

Neste caminho duas certezas cresceram dentro de mim.

Uma, que a nossa vida fala por nós e para nós. É só ouvirmos o que as diversas situações de stress que nos aconteceram na vida, nos querem dizer. Por stress, digo não só o que mexe emocionalmente connosco, mas também as doenças com que fomos confrontados. As ocasiões em que a vida nos obrigou a parar e a experienciar uma qualquer outra coisa.

Outra, é que é realmente preciso criar um espaço para fazermos amizade com este nosso armazém de talentos, dons e vocações. Com esta nossa outra faceta. Um espaço, no interior e exterior, com tempo e hora; é necessário que sentemos debaixo da árvore da nossa vida e que com toda a paciência deixemos que a criatura se aproxime. É necessária a tão difícil visão periférica que nos mostra diferentes jogos de sombra e luz, que se tornam etéreos no momento em que os queremos manter. E resistir sempre à tentação de agarrar o que não temos; de focar a visão naquele pormenor que do nada desaparece.

Porque a magia está em fazermos exactamente perdurar o que não conseguimos definir. É a partir daqui que criamos outra linguagem, que dançamos ao som de outra melodia...a das notas do nosso coração.

É preciso termos a coragem e a disponibilidade para escutar esta outra melodia; a melodia das notas únicas de cada um de nós.

Por mim, por ti, por todos.

Com amor,

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Tenho tido ao longo deste tempo o privilégio de contactar com pessoas que, com a ajuda da homeopatia, iniciam processos de enorme descoberta e expansão. Foi com este quadro em mente que escolhi a imagem deste artigo. Como uma homenagem e uma enorme gratidão pela presença da homeopatia na minha vida, e na vida dos meus pacientes.


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