Procrastinação...ou o porquê de realmente nos adiarmos.


A primeira coisa que gostaria de dizer acerca desta matéria é que quando estamos a procrastinar um projecto, uma ideia, uma execução, estamos a adiar-nos a nós próprios. Porquê? Porque nós somos criadores e criação. Obra e fruto. Somos fontes de um enorme potencial que necessita de ser escoado para alimentar esta enorme roda de geração criativa.


São diversas as razões que invocamos para adiarmos os nossos projectos, ou melhor, as nossas vidas.

...se ao menos tivesse tempo...

Não é verdade. Partimos de uma situação de falha quando afirmamos uma coisa destas. Assumimos que o tempo que temos não chega, e nada fazemos. Esta é a ilusão que o tempo consegue criar com a nossa permissão.

Primeiro, o tempo tem realmente uma elasticidade embebida que nos leva a conseguirmos muitas vezes fazermos dele o que queremos. Segundo, a falsa sensação de escassez temporal leva à libertação de adrenalina que tanto nos alimenta com a sensação de poder.

Portanto usarmos o tempo que temos é sempre mais do que suficiente para iniciarmos o que temos em mente. Mais obra criará naturalmente a abertura de espaço para mais tempo.

...já não vou a tempo...

Esta acho particularmente caricata porque é tão simples de ultrapassar quanto fácil é de invocar. Se te imaginares 20 anos à frente, o que dirias a ti, agora, relativamente a iniciares determinado projecto? Sinto mesmo que só é tarde, quando já cá não estivermos. Até lá é sempre cedo...afinal de contas "how young are you?...

...ainda não está perfeito...

O perfeccionismo é um dos maiores inimigos da criação. Um dos maiores adjuvantes da procrastinação. Porquê? Porque vem disfarçado de competente e convence-nos de que ainda não está perfeito. Ainda não está à prova de (eventual) crítica. Esta é outra enorme ilusão. Nunca nada está à prova de crítica, porque o que a uns agrada não tem necessariamente de agradar a outros; e depois é preciso ter bem claro que todas as críticas que nos aparecem do exterior são altamente empolgadas pela insatisfação interna que insistimos em nutrir pelo nosso trabalho.

Digo vezes sem fim aos meus filhos que o mundo está cheio de candidatos a perfeito e escasso de obra feita. É preciso iniciarmos, expressarmos, ultrapassarmos a barreira das ambições mentais, das fantasias. Se não avanças é porque realmente estás inundado de fantasias acerca de como deveria ser. É preciso entendermos que onde estamos é sempre um bom local para começar; que o estado de acabamento é perfeito.

Entre outros...

O que eu gostaria de deixar aqui claro é que a procrastinação não é mais do que uma defesa natural da colectânea de medos que fomos fazendo. Medo de não estar à altura, medo de não ser reconhecido, medo de ser tarde, medo de ser cedo, medo, medo, medo...

E por isso o convite que aqui faço, é que pegues um qualquer projecto ou obra na tua vida e faças a pergunta de quais são realmente os medos que estão associados a essa inciativa. Vais ficar surpreendido com o que vem. E quanto mais tratares os teus medos por tu, mais vais deixar de te importar de os encontrar (na rua).

Este é o layer mais imediato, mais acessível...

Mas há outros medos. Aqueles que estão mais no nosso sub consciente, mas a fazer uma enorme resistência energética.

E para estes, o meu conselho para lá acederes é que te projectes para uma situação de enorme sucesso relativamente a essa iniciativa, o que quer que isso signifique. E a partir desse ponto vejas se algum tipo de desconforto aparece. Por exemplo, vamos imaginar a Mãe de família que queria muito lançar o seu primeiro livro de cozinha. Perante esta pergunta, fica claro para ela, que um dos receios associados é que o eventual sucesso na matéria lhe roube espaço à família; ou a obrigue a períodos de ausência por exemplo.

E estes são normalmente os maiores bloqueios a travar a audácia da nossa criação. Conhecê-los é de uma enorme coragem; é a oportunidade que temos de darmos colo à nossa inocência, gerando, a partir dela, as mais bonitas obras da criação.

Se tens vontade de aprofundar os temas relacionados com o trabalho, esta é uma recomendação que fazemos - de participar neste workshop que vamos ter no dia 11/1 às 19h.



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