A decisão mais difícil quando pensas em deixar de trabalhar por conta de outrem…

São várias as elaborações acerca do que é que é difícil quando questionamos fazer uma mudança de vida: de trabalhador por conta de outrem, para trabalhador por conta própria. Mas na realidade, sinto sempre que não abordamos o âmago da questão.



Evidente que as variáveis mais directas nesta equação, são as primeiras a vir ao de cima:

. o tema financeiro; em que para além do ordenado que se aufere, temos tudo aquilo que se junta à volta - seguros, férias, etc.

. os temas sociais…porque vamos deixar de estar numa base diária com tantas pessoas que gostamos e que fazem (se calhar há tanto tempo) parte da nossa vida.


Depois começam a vir as outras…

. será que vou ou não ser capaz. Será que a minha força é suficientemente forte para empreender? É que empreender implica proactividade, direcção, foco !

. as responsabilidades corporativas, que para quem é “artista” se torna naturalmente mais desafiante. O IVA, a segurança social, os seguros, as actas, …


E só depois vêem os temas mais estruturais, que para mim se resumem numa única questão, sendo esta a que realmente quero aqui abordar hoje.

Quando estamos a sair de uma empresa, o que naturalmente estamos a fazer é a sair da casa do Pai.

Em termos figurativos, claro está, mas os benefícios, a protecção, o apoio que temos quando envolvidos numa estrutura organizava, fazem de nós filhos ou filhas. Até a responsabilidade, no sentido em que há sempre uma parte significativa com a qual não temos de nos preocupar porque está assegurada.


Pior, é que já não temos propriamente idade para nos continuarmos a comportar como crianças. Isto aconteceu comigo. De um dia para o outro passas de uma posição em que sabes quase tudo o que te é perguntado, para uma em que não sabes grande parte das questões que te abordam. (as corporativas que falei atrás)


Evidente que só somos confrontados com isto quando efectivamente vivemos a experiência, mas o conforto, a estabilidade, a protecção são dimensões que estão já no nosso campo energético, na nossa vivência, muito antes de tomarmos a decisão; e que naturalmente se tornam numa verdadeira resistência quando pensamos em mudar.


Só que o ser humano não cresce em água morna ! É fácil deixarmo-nos ficar. E começar a precisar desalmadamente dessas dimensões…porque outras não estão preenchidas.

Não quero com isto advogar que devemos deixar de trabalhar por conta de outrem. De todo ! O que quero sim advogar, é que tenhamos consciência que não evoluímos rodeados desse naipe de garantias. Que precisamos puxar por nós. Que o facto de beneficiarmos de uma série de coberturas, pode servir como pano de fundo, para darmos outros saltos.


Há alturas na vida, em que todos nós precisamos sair da casa do Pai. Seja ela qual for: o trabalho, o marido, a casa; o que quer que estejamos a viver não de forma plena.


A vida precisa de ti ! Naquilo que só tu podes dar !

Não adies mais o contributo da tua individualidade.


Com amor,

Rita





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